Quem está em busca de uma alimentação balanceada, para si e para quem está próximo, costuma cada vez mais se educar sobre o tema e prestar atenção nas embalagens dos alimentos. Afinal de contas, as informações que aparecem na rotulagem servem como um guia para identificar as melhores opções e adotar hábitos mais saudáveis. Mas você já parou para pensar sobre os dados presentes nos rótulos de alimentos infantis?

Como são, então, os rótulos de alimentos infantis?

Vale destacar que hoje, no Brasil, uma a cada três crianças está em sobrepeso. Ou seja, mais de 30% da população infantil pesa acima do considerado saudável de acordo com idade e tamanho. Sendo que, perante o total, 16% estão obesas.

Um estudo realizado em 2019, por meio de uma parceria entre Idec e Unicef, ajuda a ilustrar as causas para que esses números estejam tão altos. A pesquisa analisou os alimentos e bebidas ultra processados preferidos pelo público infantil, suas estratégias de marketing e como isso influencia pais e responsáveis no momento da decisão.

Ao serem questionadas, as crianças listaram as seguintes preferências como lanche escolar: biscoitos e bolachas (71%), bolos e bolinhos (58%), salgadinhos (42%), pães e bisnaguinhas (36%), sucos industrializados (90%), bebidas lácteas e achocolatados (57%), e iogurtes ultraprocessados (28%).

Os aspectos e estratégias pelos quais esses alimentos caem no gosto das crianças estão diretamente ligados aos rótulos de alimentos infantis. Segundo os pequenos entrevistados, os mais chamativos são, na seguinte ordem:

  • produto em evidência (imagem bolinho recheado ou as gotas de chocolate, por exemplo);
  • cores vibrantes/chamativas (cores chamativas da embalagem, cores atreladas ao sabor dos produtos);
  • informação sobre o sabor (chocolate, morango, entre outros);
  • abundância de características indulgentes do produto (recheio, calda escorrendo);
  • presença de personagens (personagens da marca ou da cultura popular);
  • brindes e promoções (por exemplo: adesivos ou brindes colecionáveis);
  • processo de produção do produto (indica que salgadinho é assado, etc).

Cristina Albuquerque, chefe de saúde do Unicef, no site do Idec, ressalta o impacto desses itens na alimentação das crianças. “Continuamos vendo a comercialização de alimentos ultra processados com embalagens especiais para crianças, associados a brinquedos e brindes. As crianças são muito suscetíveis e sensíveis ao marketing. Enquanto isso não mudar, fica muito difícil melhorar o estado nutricional das crianças e promover uma alimentação saudável entre elas”, comenta.

Existem regulamentações próprias para eles?

Não são poucas as informações contidas nas embalagens dos produtos. Valor energético, porção, índice de açúcares e gorduras, por exemplo. Justamente esse excesso de dados pode causar dificuldade para que o consumidor realmente compreenda o que está ingerindo.

Assim, com o objetivo de tornar os rótulos mais informativos e compreensíveis, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), elaborou uma proposta à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para atualizar as regras de rotulagem no Brasil.

Essa iniciativa tem o apoio institucional da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). A ideia é, em suma, garantir mais clareza e qualidade nas informações sobre valores nutricionais dos produtos nas prateleiras.

Nesse processo, está sendo estudada a criação de uma maneira simplificada e padronizada do painel principal no rótulo do alimento. Em outras palavras, ele deverá ser de fácil identificação e compreensão por parte do consumidor. É possível, aliás, acompanhar o processo de regulação.

O que deve estar explícito em rótulos de alimento infantis?

Assim como nos demais alimentos, os rótulos de alimentos infantis devem seguir as regulações estabelecidas pela Anvisa. Essas normas visam, principalmente, garantir a qualidade do produto e a saúde da população.

Entre a lista de informações obrigatórias estão ingredientes, prazo de validade, informações nutricionais, bem como a medida caseira para a porção do alimento em questão (fatias, colheres, etc).

Além disso, devem estar explícitos ainda dados sobre uso de conservantes, lactose, glúten – principalmente destacar os alimentos alergênicos que costumam causar sensibilidades e intolerâncias.

Por fim, as regras determinam também o que as empresas não podem usar nos rótulos. Palavras e informações falsas ou que induzam ao erro, por exemplo, são proibidas.

A Anvisa restringe também qualquer informação que indique efeitos e propriedades não comprovadas ou efeitos medicinais, terapêuticos, emagrecedores, e etc.

As propostas do Idec para nova rotulagem nutricional

Entre as medidas propostas, duas delas, pelo menos, têm efeito direto nos rótulos de alimentos infantis e como esses produtos são direcionados para as crianças. Confira:

1. Inclusão de um selo:

A recomendação do instituto é que seja incluído um selo de advertência já na parte da frente do produto. No caso de alimentos processados e ultraprocessados (como biscoitos e refrigerantes), deve indicar, por exemplo, excesso de nutrientes como sódio, açúcar, gorduras totais e saturadas.

Além disso, deverão indicar a presença de adoçante e gordura trans. Lembrando que esse tipo de gordura será proibido no Brasil até 2023. De acordo com o Idec, esse tipo de sinalização nos rótulos dos alimentos, de forma clara, direta e sucinta, ajuda o consumidor a fazer escolhas mais saudáveis.

2. Alimentos com selo não terão publicidade

Ponto para a saúde dos pequenos. Em suma, todos os alimentos que receberem o selo de advertência estarão proibidos de apresentar qualquer tipo de comunicação mercadológica direcionada a crianças. Entre elas, o uso de atrativos como personagens, desenhos ou brindes promocionais.

Fora isso, não poderão exibir informação nutricional complementar. São aquelas famosas frases como “rico em fibras” e “0% gordura trans” que passam ao consumidor uma imagem de que o produto é saudável.

Existem diferenças entre os alimentos infantis e os direcionados aos adultos?

Como citado, os alimentos direcionados às crianças e aqueles consumidos pelos adultos obedecem às mesmas diretrizes estabelecidas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

O que acontece, de acordo com um levantamento realizado pelo Idec, é que diversos produtos destinados ao público infantil não fornecem orientação nutricional correta em suas embalagens.

Diversos tipos de alimentos de diferentes marcas foram analisados pelo estudo. Por exemplo, macarrão instantâneo, frango empanado, salgadinhos de milho, bolacha, bolos recheados, entre outros. Neles, o Idec encontrou uma tabela nutricional de 2 mil calorias.

Essa tabela é destinada para as necessidades calóricas de um adulto. Obviamente, os dados não correspondem à realidade alimentar de uma criança ou adolescente. O ponto, nesse caso, é que o regulamento da Anvisa obriga o uso do valor nutricional dos produtos na embalagem.

Nessa tabela, constam informações como a quantidade de carboidratos, proteínas, gorduras totais, entre outros. A falha, nesse caso, é que não há uma regulamentação do órgão que obrigue que as informações sejam específicas por faixa etária.

Porém, o Código de Defesa do Consumidor define que o fabricante deve informar claramente o que há no produto. E isso, de acordo com a análise, não está acontecendo com vários alimentos infantis. Assim, pais e responsáveis que compram os produtos pensando na dieta do filho acabam enganados com essas embalagens.

Fonte: https://blog.livup.com.br/tem-diferenca-nos-rotulos-de-alimentos-infantis/

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