Receitas típicas e fáceis de preparar, dicas para organizar um arraial completo em casa, além de curiosidades e tradições desta festa tão brasileira

A quarentena mudou a nossa rotina, mas não precisa mudar as nossas tradições. Se depender do Guia da Cozinha, vai ter arraial em junho, sim, senhora. Em casa. E com muita comida típica. Por isso, preparamos um guia repleto de dicas de como organizar a sua própria festa junina gastando pouco, para curtir com os familiares que estão em isolamento com você ou com os amigos, num arraial virtual.

Dicas de como fazer uma festa junina em casa na quarentena

Você vai precisar colocar a mão na massa, e não só na cozinha, não! Mas a gente garante, será divertido. Tem que ter decoração e roupas típicas, brincadeiras e, claro, uma playlist caipira, para o arraiá ficar completo. Confira nossas dicas de como organizar uma festa junina em casa.

1) Comes e bebes

São diversas opções: pamonha, paçoca, pé de moleque, arroz doce, bolo de milho, pipoca, maçã do amor, quentão, chocolate quente para as crianças, canjica, cuscuz e muito mais! Dependendo do tamanho da sua família, faça uma votação de quais quitutes típicos vocês preferem para não faltar ou sobrar muita comida.

2) Decoração

Festa junina sem decoração não é nada! Para isso, recorte bandeirinhas, monte uma fogueira de mentirinha e artesanal, pendure balões coloridos, use tecidos xadrez nas mesas e espalhe vasinhos de girassóis. A ideia é usar e abusar das cores: laranja, amarelo, azul, vermelho, rosa.

3) Brincadeiras

Essa parte não pode faltar da sua festa junina, mesmo sem crianças em casa! As brincadeiras típicas são superdivertidas e você pode fazer na sala de casa para alegrar a noite com a sua família. Tem várias opções, é só deixar a criatividade fluir. Dá só uma olhada em algumas ideias:

– Monte um bingo: você pode comprar cartelinhas online ou baixar algum aplicativo gratuito. Não se esqueça de separar uns docinhos para a prenda;

– Pesca improvisada: espalhe em um local aberto várias garrafas PET pequenas com argolas presas para poder encaixar com a vara de pescar;

– E que tal um “acerte o alvo”? Coloque areia dentro de garrafas PETS vazias e posicione-as pelo chão. Faça algumas argolas de plásticos para acertar o alvo;

– Pegue a maçã: distribua algumas maçãs em uma bacia com água. Quem conseguir pegar a maçã com a boca em menos tempo, ganha!

4) Roupas a caráter

Os trajes são peças fundamentais para fazer uma festa junina em casa. Coloque uma camisa xadrez, faça duas tranças no cabelo ou use fitinhas para prender a maria chiquinha, faça pintinhas na bochechas ou desenhe um bigode com lápis de olho. Prontinho, sua festa junina em casa está completa!

Como montar um cardápio de festa junina mais light?

Que tal aproveitar essa oportunidade para fazer em casa algumas comidas juninas saudáveis e preparar um arraial mais leve?

De olho no açúcar…

Se quiser, pode reduzir a quantidade de açúcar no preparo de pratos como o arroz doce, o curau, a canjica e os bolos. Vale também trocar o açúcar refinado pelo açúcar mascavo ou de coco e substituir o leite condensado por leite de coco.

Beba sem culpa!

Vinho quente e quentão são opções alcoólicas e, por isso, mais calóricas. Mas você pode optar por uma versão com suco de uva integral e caprichar nas especiarias para deixar um gostinho especial como, gengibre e canela, que são termogênicos naturais – e dão uma ajudinha extra na queima de calorias!

A origem da Festa Junina

Apesar da festa junina ser uma comemoração típica brasileira, sua origem está associada com o fenômeno chamado solstício de verão do Hemisfério Norte, no qual temos o dia mais longo do ano.

Mas, ora, o que é que isso tem a “vê cum nóis”? Bom, é durante este período na Europa que ocorrem as maiores colheitas e, por isso, diversos povos na Antiguidade homenageavam seus deuses com a finalidade de pedir fartura nas plantações. Os gregos, por exemplo, celebravam com fogueiras o Deus Prometeu, criador da humanidade e quem os teria apresentado o fogo. Devido ao avanço do Cristianismo na Europa, três santos foram incorporadas à essas comemorações populares: o Santo Antônio (13 de junho), São João Batista (24 de junho) e São Pedro (19 de junho).

Com a vinda de jesuítas portugueses para o Brasil, essas homenagens religiosas foram inseridas nos rituais indígenas – que eram repletos de danças, comidas e cantos – e que, curiosamente, também aconteciam em junho. Com a fusão de costumes indígenas e católicos, surgiram as tão famosas festas juninas no Brasil.

Mas, afinal, onde entra a caracterização de caipira? Fácil! As comemorações dos festejos juninos aconteciam em ambiente rural e, por isso, é tão comum a vestimenta e a personificação de algo próximo à figura do Jeca Tatu, criada e difundida por Monteiro Lobato.

Alguns alimentos nativos, como o milho e a mandioca, foram incorporados deixando a festa junina com um sabor ainda mais brasileiro. E, afinal, quem não ama as comidas típicas de festa junina, não é mesmo?

As tradições e comidas juninas em cada região do Brasil

Pendurar bandeirinhas, pular fogueira, dançar quadrilha, subir no pau de sebo… todas essas brincadeiras são atribuídas às festas juninas. Mas você sabia que cada região do país tem um jeito de comemorar essas datas? Tem lugares que a festança dura o mês todo! Dá só uma olhada:

Nordeste

Com as famosas festas de São João na cidade de Caruaru, em Pernambuco, e Campina Grande, na Paraíba, as celebrações duram todo o mês nesta região e são animadas com muita dança de forró, atrações musicais e uma brincadeira conhecida como “trem passageiro”, no qual um trem embarca com todos os passageiros dançando forró nos vagões. No nordeste o milho domina, já que a colheita se dá justamente nessa época do ano; é uma festa de pipoca, bolo de milho, canjica e muitos outros!

Norte

As tradicionais festas juninas no Norte dividem atenção com o famoso Festival de Parintins, no Amazonas. O ritual folclórico é bem famoso e são servidos pratos típicos como a tapioca, feita de mandioca e a bebida de origem indígena chamada tacacá. Em Roraima, o Arraial Macuxi reúne diversos grupos culturais para comemorar as festas juninas e julinas no Estado, que são repletas de comidas típicas mas sem perder a essência, os costumes e tradições locais. Na região norte é muito comum a presença da maniçoba, do tacacá, do cuscuz e até mesmo do vatapá.

Sudeste

As quadrilhas com muita música sertaneja entram em cena junto com algumas brincadeiras, como a pesca e a cadeia do amor. Além das comidas típicas, como o cuscuz, arroz doce, quentão, canjica e a vaca atolada, na região Sudeste também é fácil ver alguém consumido pastel, pizza e cachorro-quente durante as festanças. Também é comum nas festas juninas do Vale do Paraíba, em São Paulo, encontrar o bolinho caipira feito de farinha de milho. Além disso, os mineiros também adicionam o feijão tropeiro e o pão de queijo para incrementar as comemorações juninas.Bolinho caipira junino

Centro-Oeste

Com influência dos países que fazem fronteira com essa região do Brasil, a festa junina é repleta de comidas típicas, quadrilha, fogueira, música sertaneja e não pode faltar a polca paraguaia, um estilo musical criado no Paraguai durante o século XIX. Além disso, faz parte da tradição junina da região Centro-Oeste comer a sopa paraguaia – que, na realidade, se parece mais com uma torta de farinha de milho e queijo.Receita de Sopa paraguaia

Sul

No Rio Grande do Sul comemora-se as festas juninas com muita comida típica: milho, arroz carreteiro e pinhão. Em São Borja, cidadezinha do Rio Grande do Sul próxima à fronteira com a Argentina, as pessoas têm o costume de atravessar descalças um chão de brasa. Além disso, nessa região do país as vestimentas caipiras têm uma pitada de regionalismo e a dança típica dos gaúchos, o vanerão, foi incorporada à quadrilha. Algumas cidades de Santa Catarina e Paraná também são embaladas no ritmo do vanerão.Arroz-doce com especiarias e cristais de pinhão

Os símbolos juninos

Existe toda uma simbologia que permeia as comemorações juninas ao redor do país. As festas costumam estar sempre cheias de muita cor com as bandeirinhas, os balões, os trajes caipiras, as fogueiras… Mas você já se perguntou qual o significado por trás de todos esses símbolos? Vem que o Guia da Cozinha te explica!
Fogueira

Como a festa junina é comemorada entre junho e julho, o frio toma conta do país, até mesmo nas regiões norte e nordeste. Eis que a fogueira está lá como um dos símbolos principais desta celebração. Normalmente acesa na véspera do dia de São João (24/06), a fogueira é um elemento que, segundo os antigos, ajudava a afastar os maus espíritos. Além disso, a fogueira ainda assa o tradicional milho, aquece os matutos e matutas e é feita para pular, estreitando ainda mais os laços com as danças de quadrilha.Como fazer milho cozido

Quadrilha

Por falar em danças típicas, a origem das danças de quadrilha, que também se torna um ícone das celebrações juninas, vem das tradicionais danças indígenas em celebração a colheita da época e carregam traços da quadrilha francesa do século 17. A inspiração na dança francesa é tanta que surgiram vocabulários únicos a partir do comando da dança europeia: balancer virou balancê, quando os casais se movem no ritmo da música, an arrière tornou-se anarriê quando os pares da dança se movem para trás, e changer acabou se mudando para changê, comando que sinaliza a troca de casais na dança.

A partir disso, criou-se uma união de tradições interioranas numa dança caipira, simulando os passeios na roça, com suas vestes típicas e muitas “etapas” durante o caminho, até se chegar no tradicional casamento do noivo e da noiva. As modas de viola e o tradicional forró são a trilha sonora perfeita para se arranjar um par, né não, sô? Neste ano, com o isolamento social, nada de beijinho para selar a união entre o noivo e a noiva!Choconhaque
Arroz doce com chocolate no copinho

Balões e bandeirinhas

Em um bom arraial, se você olhar ao redor, vai reparar que está rodeado de decorações com balões e bandeirinhas. Algumas histórias dizem que os balões eram feitos para sinalizar que a festa estava começando, outras versões contam que lançar balões aos céus era uma forma de agradecer a colheita e pedir bençãos. Hoje em dia, a prática de soltar balões é ilegal, por conta dos riscos de incêndio, então só vale na decoração, ok? Antigamente, as bandeirinhas eram maiores e levavam a imagem de santo Antônio, São João Batista e São Pedro para que se fossem homenageados durante as festas. E as bandeirinhas eram lavadas nas águas dos rios para purificar a água e quem passasse por elas depois. Com o tempo, as bandeiras ficaram menores e mais coloridas.

Fonte: https://guiadacozinha.com.br/receitas-para-festa-junina/

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